Quinta atividade: Resumo do texto "Aprendizagem Multimodal de Letramentos com Textos Digitais", escrito por Lim-Fei e Tan-Chia (2022).
Olá, leitores(as)!
Nesta postagem, tenho o prazer de compartilhar com vocês um resumo de uma apresentação que ocorreu durante a disciplina de "Letramentos e Práticas Multimodais", ministrada pelos professores Dr. Francisco Welligton e Dra Giselda Costa, no Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Letras, onde eu e meu grupo de estudo, composto por Ananda, Francisco Carlos (eu), Francisca Silveline, Eduarda, Sarah e Suellen, tivemos a oportunidade de discutir o capítulo "Aprendizagem Multimodal de Letramentos com Textos Digitais", escrito por Lim-Fei e Tan-Chia (2022).
Essa foi uma experiência empolgante e enriquecedora, e estou animado(a) para compartilhar os principais pontos com vocês!
Durante nossa apresentação,
mergulhamos nas ideias e conceitos apresentados por Lim-Fei e Tan-Chia (2022),
explorando como a aprendizagem multimodal e o letramento digital se entrelaçam
em nossa sociedade atual. O capítulo nos trouxe uma visão abrangente sobre como
os textos digitais têm influenciado nossa forma de aprender, comunicar e
interagir com o mundo ao nosso redor.
Sem mais delongas, vamos
mergulhar nesse resumo da apresentação sobre o capítulo "Aprendizagem
Multimodal de Letramentos com Textos Digitais".
Espero que apreciem a leitura e se sintam inspirados a explorar mais a fundo
esse campo em constante evolução!
RESUMO
O primeiro tópico do capítulo
apresenta a justificativa de Lim-Fei e Tan-Chia (2022) para dedicar uma
parte de seu livro aos textos que circulam no meio digital. Para isso, eles
discutem a história de Avern, um garoto que vêm utilizando um ipad em
suas práticas educativas há algum tempo. Com isso, os autores preveem que Avern
logo começará a utilizar as redes sociais, locais em que encontramos uma enorme
variedade de informações que se manifestam através de textos multimodais.
A partir dessa ideia, Lim-Fei e Tan-Chia (2022)
buscam introduzir a noção de natividade digital, ou seja, a concepção de que
uma criança que nasce na era tecnológica já cresce dominando os elementos do
meio digital. Porém, os teóricos demonstram através dos estudos de Livingstone
et al (2011) e Loh et al (2021) que nem sempre as crianças dominam tais
tecnologias no que diz respeito ao seu aspecto pedagógico. Ainda assim, a noção de
natividade digital levou os professores a negligenciar o letramento multimodal
dos alunos porque já acreditam que eles possuem a habilidade de navegar no
ambiente digital e trabalhar com os textos que lá circulam.
No
entanto, Lim-Fei e Tan-Chia (2022) compartilham o dado de Schleicher (2011),
que afirma que apesar de um quinto dos jovens terem acesso aos computadores,
eles não possuem habilidades para navegar no ambiente digital. Nesse sentido,
os autores lançam o questionamento final do tópico, e que será o foco de todo o
capítulo: “Como podemos, então, como educadores, preparar nossos jovens
para navegar no complexo cenário da informação e armá-los com os conhecimentos
necessários por meio de nosso currículo para contestar narrativas e combater
falsidades nesta era da 'pós-verdade'? ” (LIM-FEI; TAN-CHIA, 2022, p. 56).
DEFININDO
O QUE É “TEXTO DIGITAL”
Os
autores apresentam a concepção de textos digitais na perspectiva da semiótica
social, de modo a considerar como fatores da digitalização aspectos
como: dinamicidade e interatividade. Quanto ao primeiro aspecto,
referem-se à possibilidade de conjugação dos multi (modos) em um só
(escrito, oral, imagético, movimento, etc) e sobre o segundo, remontam à
viabilidade de interação por esses textos, seja via feedback, emoticons,
comentários, reações, dentre outros.
Ademais,
apresentam um Quadro Comum de Referência para Letramento Digital
(CFRIDiL), cujas dimensões apresentadas são: orquestração, comunicação
intercultural, tecnologias digitais e habilidades transversais. Essas dimensões
direcionam os questionamentos que podem ser feitos para refletirmos como se
efetivam na prática esses letramentos digitais e o que demandam.
A
dimensão de orquestração envolve a característica multimodal dos textos
digitais e reforça o questionamento: “Como eu faço significados em ambientes
digitais?" A dimensão de comunicação intercultural se refere à habilidade
de interagir com pessoas diversas e, consequentemente, com culturas também
diversas e remete ao questionamento: “Como faço para criar significados com
outras pessoas em ambientes digitais?” A dimensão de tecnologias digitais
remonta à diversidade de tecnologias disponíveis e à necessidade de saber
usá-las, refletindo-se na pergunta: “Como faço para usar as ferramentas de
ambientes digitais?” As habilidades transversais envolvem as aptidões pessoais
e relacionais que são necessárias para interação digital e reverberam na
seguinte questão: “Quais habilidades pessoais e relacionais podem me ajudar a
facilitar a comunicação em ambientes digitais?”
METALINGUAGEM
PEDAGÓGICA
Lim-Fei
e Than-Chia (2022, p. 60) iniciam essa seção com o seguinte questionamento:
“Como o uso de uma metalinguagem ajuda os alunos a adquirir sistematicamente os
entendimentos conceituais e desenvolver a consciência semiótica necessária para
se envolver e responder a textos digitais?”. À vista disso, os autores
apresentaram a metalinguagem pedagógica para vídeos em uma escola secundária em
Singapura. A recepção dos professores e alunos em relação a esse estudo foi
positiva, pois os professores observaram que houve evolução da reflexão crítica
dos alunos entre o pré e pós-testes.
A
metalinguagem pedagógica para vídeos se organiza em 4 aspectos: características
integrais; formas de interação; representação de ideias; interação de
significados em vídeos. Esse modelo se diferencia dos textos impressos,
pois a análise se expande aos aspectos sonoros presentes no vídeo.
Nas
características integrais dos vídeos, ocorre a noção de categorização
dos vídeos em diferentes tipos de texto, as características específicas que
irão determinar o gênero, por exemplo, em um documentário “inclui narração em
off, entrevistas, bem como reencenação e filmagens para estabelecer
credibilidade para os relatos” (LIM-FEI; TAN-CHIA, 2022, p. 62).
As
formas de interação são os recursos escolhidos para que ocorra
envolvimento ou interação entre o telespectador e o personagem ou ambiente.
Estes recursos são a nitidez do foco, o contraste de cores, a posição da
câmera, a iluminação, a dramatização, a velocidade, os recursos sonoros, dentre
outros.
As
representações de ideias se referem ao contexto de produção e recepção
dos vídeos. Por fim, a interação de significados corresponde à
exploração de significados semelhantes e diferentes no vídeo.
RELATO
DE EXPERIÊNCIA
No tópico 4.4 temos a Vinheta sobre
Ensino de Alfabetização Multimodal com Textos Digitais em que é contextualizado
como ocorreu a experiência realizada pela professora.
O projeto foi desenvolvido por
Grace, uma professora de inglês em Cingapura que já ensinou aos alunos de
diferentes cursos: Expresso, Normal (Acadêmico) e Normal (Técnico). Ela
ministrou aulas para uma turma de 22 alunos do Secundário 1 Normal (Técnico),
focando no desenvolvimento de suas habilidades de leitura e compreensão de
textos digitais, usando diferentes formas de comunicação.
Grace planejou suas oito aulas, cada
uma com duração de uma hora, utilizando uma história apresentada tanto em um
livro ilustrado quanto em um vídeo como base. Ela empregou a metalinguagem
pedagógica durante o processo de ensino, garantindo que os alunos
compreendessem e refletissem sobre os elementos da história. As aulas foram
estruturadas de acordo com os processos de aprendizagem, buscando promover a
compreensão e o engajamento dos alunos. Nas Lições 1 e 2, Grace mostrou o texto
do livro ilustrado "A coisa perdida", de Shaun Tan, e também
apresentou o vídeo que retrata a mesma história.
A narrativa gira em torno de um
protagonista que tinha o hábito de colecionar tampinhas de garrafa em sua vida
diária, mas sua rotina foi interrompida quando ele descobriu um monstro na
praia. Ninguém parecia se importar com o monstro, exceto o protagonista, que o
levou para casa e depois empreendeu uma jornada para descobrir seu verdadeiro
lugar. Durante a aventura, eles percorreram diversas ruas em busca de um local
adequado para o monstro. Após uma busca incansável, o protagonista finalmente
encontrou um lugar onde o monstro se encaixava perfeitamente.
A professora planejou cuidadosamente
a experiência de aprendizagem nas aulas, enfatizando a diferença nas escolhas
de elementos de linguagem em textos impressos e digitais, que resultaram em
significados distintos. As primeiras duas lições serviram como uma introdução
ao estudo da recontagem pessoal, explorando os recursos linguísticos utilizados
nesse tipo de narrativa.
Durante as últimas lições, os alunos
receberam a tarefa de projetar e descrever um jogo ou um passatempo pessoal
para o personagem da história, a Coisa Perdida, e sua família, utilizando uma
apresentação de slides. Nas aulas 7 e 8, foi reservado o tempo para avaliar as
apresentações multimodais criadas pelos alunos.
Todas essas aulas serviram para
promover o desenvolvimento das habilidades de letramento multimodal dos alunos,
ou seja, a capacidade de compreender e criar significado a partir de textos em
diferentes formatos, como textos impressos, vídeos e apresentações de slides.
Ao utilizar diferentes formatos de texto, a professora ofereceu aos alunos uma
variedade de estímulos e recursos para a aprendizagem, o que pode ter aumentado
o interesse e a participação dos alunos.
As atividades propostas nas aulas
permitem que os alunos desenvolvam suas habilidades de leitura, compreensão,
análise e criação de textos multimodais. Isso é valioso, pois prepara os alunos
para lidar com diferentes formas de comunicação em um mundo cada vez mais
digital.
No
tópico 4.4.3, intitulado como “Lição sobre o livro ilustrado”, os autores
apresentam o processo de aprendizagem dos alunos. O encontro entre duas
modalidades de textos, o impresso e posteriormente o digital. Nesse tópico os
autores apresentam uma espécie de sequência didática realizada em sala de aula,
cuja tem como objetivo demonstrar as particularidades do texto impresso, para
que logo após isso, apresentasse outra modalidade de texto, nesse caso, o
digital. Ainda nesse tópico, fica claro que uma das estratégias de imersão dos
alunos na história apresentada pela professora se dá através de perguntas
relacionadas ao texto apresentado por ela.
Já no tópico 4.4.4, trata da “Aula sobre narrativa em vídeo”. Nesse
tópico, os autores dão continuidade ao relato de experiência vivido pela
professora. No entanto, nesta parte, apresenta-se uma aula voltada para a
narrativa em vídeo. Nesse contexto, os autores salientam que a professora
apresenta a mesma história vista em texto impresso, só que dessa vez, em
formato de vídeo. Com essa ação, os autores destacam que a professora visa
fazer um contraste entre as duas modalidades, visando entender os principais
pontos observados pelos alunos em relação ao texto digital e o impresso.
No tópico “4.4.5 Lição sobre
representação”, é destacado que Grace, a professora, atribuiu aos alunos a
tarefa de projetar e apresentar um jogo ou hobby para o Lost Thing e sua
família usando uma apresentação de slides e os alunos planejaram suas escolhas
de jogo ou hobby e organizaram suas apresentações. Nas aulas seguintes, os
alunos apresentaram seus jogos e passatempos aos colegas, explicando o que é o
jogo, como jogar e compartilhando suas experiências. As apresentações incluíram
o uso de imagens e vídeos para torná-las mais envolventes.
E, por fim, o tópico 4.4.6 abordas
as “reflexões de Grace”, onde pôde-se perceber que, além de ter refletido sobre
como planejar o aprendizado de letramento multimodal, destacando a importância
de orientar os alunos a reconhecer as ordens da tecnologia digital para
aumentar o significado e o envolvimento com a história, ela ficou satisfeita
com as respostas dos alunos ao vídeo discutido em sala de aula, pois demonstraram
consciência semiótica ao utilizar a metalinguagem pedagógica.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS DO TEXTO
O
capítulo explora como as experiências de aprendizado projetadas por Grace
apoiam o desenvolvimento de letramento multimodal de Avern, ela
desenvolve sua consciência semiótica ao reconhecer as diferentes maneiras pelas
quais os significados são criados em textos impressos e digitais.
Percebe-se
que os textos digitais aproveitam as regras da digitalidade para criar
significado, e o envolvimento com eles exige habilidades em tecnologias
digitais, comunicação intercultural e letramento transversal.
A
metalinguagem pedagógica apoia o pensamento dos alunos sobre as escolhas
semióticas nos textos multimodais e permite a comparação e compreensão das
diferenças de interação de significados entre textos impressos e digitais. Por
fim, Grace encoraja os professores a se juntarem a ela no esforço de projetar o
próprio letramento multimodal.
REFERÊNCIA
LIM, Fei Victor; TAN-CHIA, Lydia. Designing
learning for multimodal literacy: Teaching viewing and representing. Taylor
& Francis, 2022.
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